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MANIFESTO EM DEFESA DA
MONARQUIA PARLAMENTAR

 

(In memoriam de D. Pedro II e da Princesa Isabel)

 

    "À vista da representação escrita, que foi entregue hoje às 3h da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, eu, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade. Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889. D. Pedro d´Alcântara."

 

    (A Família Imperial foi embarcada às 3 horas da madrugada, revelando o medo dos golpistas de uma possível reação popular assim que o Povo tomasse conhecimento do que realmente estava acontecendo: o triste espetáculo não era apenas uma parada militar, como muitos pensaram.)

 

    As palavras acima foram ditadas por D. Pedro II ao Barão de Loreto em resposta ao Mal. Deodoro da Fonseca ao tomar conhecimento de sua deposição. Aquele momento não era apenas a deposição de uma dinastia e de um Terceiro Reinado em que D. Isabel I teria tido as condições de levar adiante o 13 de Maio, provendo os libertos (apenas 20% da população de origem africana na data) com os meios para uma vida digna posterior.

 

    Na verdade, estavam sendo depostos os valores em que se assentara o Segundo Reinado, quais sejam: a defesa intransigente do interesse público; a plena liberdade de imprensa, de expressão, de pensamento e de iniciativa individual; a alternância dos partidos no poder; o primado do poder civil sobre os militares; a luta exitosa de décadas a favor das alforrias, da abolição e da igualdade civil e social; o cuidado como o meio ambiente; a inflação anual baixíssima, evitando penalizar os mais pobres; e a cobrança de responsabilidades às classes dirigentes.

 

    A república, após 130 anos, conseguiu a proeza de ter renegado a quase totalidade desses valores permanentes, a garantia de um País mais justo, próspero e democrático. Afinal, um regime em que se alastrou a corrupção sistêmica, em que a desigualdade social se tornou (quase) campeã mundial, e que tem uma classe política, que não representa o Povo Brasileiro em suas legítimas aspirações, está longe de ter um compromisso visceral com Sua Majestade o Interesse Público. Os votos de grandeza e prosperidade de Dom Pedro II, infelizmente, não se concretizaram. A rigor, a república caminhou na direção oposta, passando a colecionar, desde 1980, décadas perdidas, exatamente como foi a sua primeira década com o encilhamento. Hoje, sua desmoralização diante da população é evidente. A autoestima nacional foi parar no tornozelo.

 

    As instituições e valores a serem defendidos são os que tivemos sob o Segundo Reinado, com as devidas adequações. E não há saudosismo nesta afirmação. Elas são o caminho das pedras em direção à defesa do Interesse Público, da democracia, da igualdade, da prosperidade e da defesa do meio ambiente.

 

    Entre a perspectiva de mais uma intervenção militar e a manutenção das disfuncionais instituições que temos hoje, podemos optar por uma terceira via. Uma nova constituição em que o Interesse Público tenha a primazia. Essa nova configuração dos poderes precisa recolocar o eleitor brasileiro no controle dos políticos, livrando-o de ser manipulado por partidos cujo interesse maior é o próprio umbigo.

 

    Este é o caminho a ser seguido para um futuro em direção a um estado democrático, estável e próspero. Reflete também apreço pelo Povo Brasileiro tão desrespeitado pelas práticas nada republicanas da dita república brasileira. Como defensores da monarquia parlamentar, em que haverá um Chefe de Estado, um monarca, que não deverá favores a grupos econômicos ou partidários pela posição que ocupa, sustentada que esta por um legado perene imemorial, ao qual a Casa de Bragança soube e saberá manter fidelidade, estamos confiantes que a res publica, ou seja, o Bem Comum, será mais bem preservado por uma monarquia parlamentar do que pela suposta república brasileira.

 

    Nós, monarquistas e o Instituto Brasil Imperial, o(a) convidamos a assinar este Manifesto em prol de um Brasil mais justo, solidário e próspero.

 


Brasil, 7 de setembro de 2021

 

 


Gastão Reis Rodrigues Pereira
Economista, palestrante e
Conselheiro do Instituto Brasil Imperial