Documento sem título
Documento sem título
  
  
  
  
  
  
  Monarquia
Tire suas dúvidas
Símbolos
Núcleos Municipais
Uniformes Militares
  Agência Monárquica
Notícias
Artigos históricos
Artigos políticos
Agenda monárquica
Colunas
Aniversários
  Biblioteca
Documentos
Livros
Vídeos

 

 

Documento sem título



Colunas

Peña Esclusa: Está na hora de dar um passo à frente

Publicado em: 15/09/2010

Frente ao tirano, o pior conselheiro é o medo porque só favorece a permanência do regime no poder.
O Antigo Testamento - à parte de refletir a Palavra - é um livro de história, que constantemente exige uma mudança de atitude dos homens.
Os distintos profetas advertem o povo de Israel - uma e outra vez - de que se não abandonarem seu apego aos falsos deuses, sofrer
ão severos castigos. Os "falsos deuses" são aquelas atitudes que degradam a condição divina do homem, afastando-o do verdadeiro amor.
E não é Deus quem castiga, senão o homem mesmo, que se causa dano quando opta pelo mal caminho.
As obras clássicas - como por exemplo, o teatro de Schiller, Shakespeare e Cervantes - fazem finca pé no mesmo conceito. Frente a duas atitudes reiterativas do ser humano, há dois possíveis desenlaces: o triunfo épico - como os que Guilherme Tell e Henrique V obtêm -, ou a derrota trágica - como as que sofrem Hamlet e Otelo.
A Venezuela de hoje encontra-se em um ponto crítico de sua história. Creio firmemente que o desenlace será triunfante, porém isso requer uma mudança de atitude, requer que os venezuelanos dêem um passo à frente.
A bonança petroleira trouxe grandes benefícios, entre outros, o desenvolvimento econômico e a conformação de uma ampla classe média profissional, porém também gerou efeitos nocivos, entre eles, a generalização do consumismo e o apego ao material.
Costumo dizer que os hondurenhos puderam derrotar a tempo o Socialismo do Século XXI porque ainda conservam os mesmos valores e princípios que existiam na Venezuela rural de meu pai, que era oriundo de Valera, estado Trujillo.
Embora trate-se de uma cidade moderna, viajar a Tegucigalpa foi como retroceder no tempo até a infância, quando acompanhava meu pai em suas viagens pelo território nacional, e éramos recebidos com um trato simples e hospitaleiro.
No geral, uma ditadura é manejada por um pequeno grupo de "vivos", sem respaldo popular, que se mantém no poder infundindo terror. Perseguem ou encarceram alguns dissidentes, para que o resto dos cidadãos tenha medo de lutar por seus direitos.
O medo surte maior efeito quando, por algum motivo, a sociedade encontra-se debilitada pela deterioração de seus valores. O materialismo e o relativismo impedem que a gente lembre qual é o verdadeiro sentido da vida e a importância de se guiar de acordo com um fim transcendente.
Porém, mesmo assim, é evidente a presença de um emocionante despertar nos venezuelanos. Prova disto são os 20.000 empregados da PDVSA que preferiram perder seus empregos antes que ajoelhar-se. Os donos e empregados da RCTV e da Globovisión, que negaram-se a negociar seus princípios, os milhares de jovens que arriscam sua integridade quando saem para protestar nas ruas, ou os prisioneiros políticos que não negociam, não cedem, não se queixam e não se rendem, entre muitos outros testemunhos que refletem o potencial de resistência que têm os venezuelanos.
Entretanto, para assegurar a democracia e recuperar as liberdades, é necessário que muitos mais compatriotas dêem um passo à frente, seguindo o testemunho dos heróis mencionados. Essa é a forma de romper a estratégia do medo.
Um exemplo recente de desafio à tirania foi dado pelo diário El Nacional, quando publicou a célebre foto que demonstra o avanço da insegurança em nosso país. Ao ser ameaçado pelo regime, outros diários cerraram fileiras publicando a mesma foto em suas manchetes. Foi uma forma de dizer: "Se você se meter com um de nós, vai ter que enfrentar a todos".
Esta atitude valente e solidária se assemelha àquela sustentada pelos estudantes universitários em fevereiro de 1928. Os jovens Rómulo Betancourt, Jóvito Villalba e Pío Tamayo, entre outros, desafiaram a ditadura do general Juan Vicente Gómez, aproveitando a semana do estudante para criticar as características totalitárias do regime. Quando foram feitos presos no Castillo de Puerto Cabello, se apresentaram 200 estudantes mais, em frente ao "quartelzinho" de Caracas, e pediram para ser igualmente encarcerados. Embora, com efeito, tenham sido detidos, Gómez ordenou pouco depois que os soltassem a todos. Não lhe convinha ter tantos presos políticos ao mesmo tempo. Assim estreou a chamada "Geração dos 28".
Frente ao tirano, o pior conselheiro é o medo porque só favorece a permanência do regime no poder. Em troca, os desafios pacíficos e generalizados, como os casos acima mencionados, surtem efeitos devastadores nos governos totalitários.
Pressinto que se aproxima a hora em que a sociedade venezuelana recorrerá ao melhor de si, aos episódios mais inspiradores de sua história, a seus direitos inalienáveis e atuará como um só homem para defender o futuro de seus filhos. E quando isso ocorrer, não haverá poder humano capaz de deter a recuperação da democracia e das liberdades.
Desde meu "irmão cárcere" quero enviar a meus compatriotas uma mensagem de otimismo: O fim da tirania está próximo! Não tenham medo! Ânimo, tenham esperança!


Documento sem título

 
www.setor3consultoria.com.br
by Orbitaltec