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Artigos históricos

Elogio a Monarquia: o capítulo do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" - IV

Publicado em: 20/06/2013

A acusação
O Brasil foi o penúltimo país da américa a abolir a escravidão

A defesa
Até mesmo o povo brasileiro custou a apoiar a abolição


Uma acusação frequente que se faz à monarquia é ter demorado tanto para dar um fim à escravidão. O fato não é mesmo motivo de orgulho: o Brasil, pouco depois de Cuba,foi o último país da América a libertar os escravos. É injusto,no entanto, responsabilizar somente os líderes do país por essa lentidão. Para aprovar leis, eles precisavam do apoio dos deputados e senadores, que refletiam, pelo menos em parte,a opinião pública. E não só os proprietários rurais, mas o povo em geral e até mesmo a maior parte dos escravos demoraram a aderir com entusiasmo à luta abolicionista.Nos livros didáticos de história do Brasil, as revoltas do Período Regencial (os nove anos em que o país esperou a maioridade de Dom Pedro II) aparecem sempre como expressão da vontade popular a ser “sufocada” e “abafada” pelas forças imperiais. Pois nenhuma das grandes revoltas regenciais propunha o fim total da escravidão. A maioria delas deu mostras de que, se fossem vitoriosas,seguiriam o caminho dos governos de caudilhos latino-americanos. Eram indiferentes com relação à abolição até mesmo os movimentos que contavam com milhares de negros e escravos entre seus aliados, como a Cabanagem, do Pará, conhecida pela participação do povo nos protestos.

Os rebeldes “cabanos” tinham como objetivo principal a independência do estado: não havia consenso sobre o fim da escravidão. Eduardo Angelim, um dos líderes da Cabanagem, chegou a sufocar revoltas de escravos e executar os próprios aliados que pregavam a abolição. O gaúcho Bento Gonçalves, o grande líder da Revolução Farroupilha, morreu em 1847 deixando no seu testamento 53 escravos para seus filhos e netos.

Costume aceito por milênios de tradição, a escravidão foi uma atividade que as pessoas só lentamente começaram a  encarar como injusta. Em junho de 1850, navios ingleses passaram a invadir portos do Paraná ao Rio de Janeiro para apreender, afundar ou queimar navios negreiros. Os ataques provocaram exaltados protestos populares no Rio de Janeiro – não para defender os abolicionistas ingleses,e sim para reclamar da intromissão inglesa na soberania nacional e defender os traficantes de escravos que tinham seus navios destruídos.
Sob a pressão inglesa, quem era contra a abolição passou a usar o patriotismo e a soberania como argumento, como fez o escritor José de Alencar. “O movimento popular só adquiriu força na década de 1880, tão enraizado estava o escravismo em nossa sociedade”, afirma o historiador José Murilo de Carvalho. Mesmo as revoltas escravas não largavam o sistema escravista. É o caso da Revolta dos Malês, organizada por negros muçulmanos na Bahia, em 1835. Os escravos queriam conquistar a liberdade – e escravizar os brancos e os negros que não fossem muçulmanos.Em se tratando de liberdade dos escravos, alguns líderes do Império foram mais revolucionários que os revoltosos do século 19. José Bonifácio, cujas cartas Dom Pedro  leu momentos antes de dar o grito no Ipiranga, defendia a emancipação dos negros antes mesmo da Independência,mas ninguém lhe dava ouvidos.

Em 1819, para mostrar a seus vizinhos que a escravidão não era um mal necessário,Bonifácio montou um sítio em Santos onde trabalhavam apenas homens livres. Os vizinhos não seguiram o seu modelo.Décadas depois, foi a vez de Dom Pedro II polemizar ao insistir na liberdade gradual dos escravos. Para aprovar as leis que progessivamente extinguiram a escravidão, o imperador teve que se bater com os políticos conservadores e liberais que formavam sua grande base de apoio. Deputados e jornalistas o acusaram até de impor o fim dos cativeiros de forma autoritária, pois Dom Pedro II usava o poder do trono para mudar ministros e favorecer aqueles que topassem apresentar leis abolicionistas à Câmara dos Deputados.Integrantes do Partido Liberal e do Partido Conservador acusavam de “suicídio político” os colegas que apoiavamos projetos de emancipação. A abolição, como se sabe, foi um dos fatores a provocar o fim da Monarquia no Brasil. O descontentamento com Dom Pedro II ficou evidente ao deputado Leão Veloso ao analisar a situação política da Bahia: “Aqui não havia republicanos, e agora não somente os há,como não há liberal que não se mostre disposto a sê-lo: na grande propriedade então parece firrmado o divórcio com a Monarquia”, escreveu ele.
Em 16 de novembro de 1889, horas depois de ser destituído do trono pelos republicanos,Dom Pedro II foi embora do Brasil levando consigo um travesseiro cheio de terra brasileira. A liberdade política que o Império possibilitou foi embora com ele. Em 23 de dezembro, pouco mais de um mês depois do início do novo regime, o marechal Deodoro da Fonseca instituiu a censura prévia. Uma junta de militares passou a avaliar os jornalistas que ameaçavam o novo regime. Os presos políticos e exilados, figuras que não existiam no Segundo Reinado, de repente se multiplicaram. Boa parte dos políticos, editores de jornais e cidadãos comunslogo tiveram saudade dos tempos reais. O jornalista João do Rio, ao descrever o Rio de Janeiro de 1908 no livro “A Alma Encantadora das Ruas”, se mostrou surpreso com a quantidade de trabalhadores, negros e brancos, que levavam nas costas tatuagens de símbolos imperiais. Afirmou ele: “Pelo número de coroas da monarquia que eu vi, quase todo esse pessoal é monarquista”.



notas
1 Micheal Clodfelter, Warfare and Armed Conflicts: A Statistical Reference to Casualty and Other Figures, 1500-2000, McFarland & Company, 2002,página 184.
2 José Murilo de Carvalho, A Construção da Ordem, 3a edição, Civiliza-ção Brasileira, 2003, página 84.
3 Retirado de Christian Edward Cyril Lynch, “O conceito de liberalismono Brasil (1750-1850)”, Revista Iberoamericana de Filosofía, Política y Humanidades , ano 9, no 17, primeiro semestre de 2007.
4 José Murilo de Carvalho, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Coleção Formadores do Brasil, Editora 34, 1999, página 27.
5 Lúcia Bastos Pereira das Neves, Corcundas e Constitucionais, Revan,2003, página 51.
6 Umberto Guarnier Mignozzetti, A Apropriação de Modelos Estrangeiros pelo Pensamento Político Brasileiro: O Uso do Pensamento Francês na Experiência Política de Bernardo Pereira de Vasconcelos, Marquês de São Vicente e Visconde do Uruguai, Universidade de São Paulo,2009, página 13.
7 José Murilo de Carvalho, Dom Pedro II, Companhia das Letras, 2007,página 88.
8 Lilia Moritz Schwarcz, As Barbas do Imperador, 2a edição, Companhiadas Letras, 1999, página 564.
9 Isabel Lustosa,D. Pedro I, Companhia das Letras, 2006, página 227.
10 José Murilo de Carvalho,A Construção da Ordem, página 147.
11 Alberto Rangel, Cartas de Pedro I à Marquesa de Santos, Nova Fronteira, 1984, página 326.
12 Isabel Lustosa, página 290.
13 Neill Macaulay, Dom Pedro: The Struggle for Liberty in Brazil and Portu- gal, 1798-1834, Duke University Press, 1986, página 164.
14 Evaldo Cabral de Mello, “Iluminismo envergonhado”, Folha de S. Paulo , sábado, 14 de junho de 2003.
15 Jorge Caldeira (org.), José Bonifácio de Andrada e Silva, Coleção For-madores do Brasil, Editora 34, página 126.
16 Lúcia Bastos Pereira das Neves, página 303.
17 José Maia Bezerra Neto, “Ousados e insubordinados: protesto e fugas de escravos na província do Grão-Pará – 1840/1860”, revista Topoi,Rio de Janeiro, março de 2001, páginas 73 a 112.
18 Jorge Caldeira (org.),
19 Leslie Bethell, The Abolition of the Brazilian Slave Trade, CambridgeUniversity Press, 1970, páginas 329 e 330.
20 José Murilo de Carvalho, Dom Pedro II, página 193.
21 Lilia Moritz Schwarcz, página 564.
22 José Murilo de Carvalho, Dom Pedro II, páginas 76 e 77.
23 José Murilo de Carvalho, Teatro de Sombras, Civilização Brasileira,2007, página 312





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