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Artigos históricos

11 de Junho: Batalha Naval do Riachuelo

Publicado em: 10/06/2013

Marinha do Brasil

A Batalha Naval do Riachuelo é considerada decisiva na Guerra da Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) contra o Paraguai. O conflito militar, que ocorreu entre 1864 e 1870, foi o maior da América do Sul.

A guerra começou após a invasão da província brasileira de Mato Grosso, por tropas paraguaias, sob ordem do presidente Francisco Solano Lopez. O governante, que chegou ao poder após a morte do seu pai, Carlos Antônio Lopez, impôs uma política externa mais agressiva e passou a intervir em conflitos na região.

O ataque do Paraguai foi uma retaliação à interferência brasileira na guerra civil do Uruguai, em 1864, quando o presidente Atanasio Aguirre foi deposto e o seu rival, Venancio Flores, empossado. Tal intervenção contrariou os planos políticos e as alianças de Solano Lopez. O presidente considerou a invasão do Uruguai um ato de guerra do Brasil contra os interesses do seu país e iniciou as hostilidades.

Logo em seguida, a Argentina se envolveu na guerra, após vetar o pedido do Paraguai para atravessar seu território com tropas em direção ao Rio Grande do Sul. Com a negativa, Lopez invadiu a província argentina de Corrientes.

O Paraguai estava se mobilizando para uma possível guerra desde o início de 1864. Lopez se julgava mais forte e acreditava que teria o apoio do Partido Blanco uruguaio e dos partidários argentinos de Justo José de Urquiza, que exercia o poder na província argentina de Entre Rios. Tal aliança, no entanto, não ocorreu. A derrota em Riachuelo, em 11 de Junho de 1865, acabou com a possibilidade de uma vitória rápida.

Esquadra brasileira

No início da Guerra da Tríplice Aliança, a Esquadra brasileira dispunha de 45 navios armados. Desses, 33 eram de propulsão mista - à vela e a vapor - e 12 dependiam exclusivamente do vento. O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (Arsenal da Corte) passara por uma modernização, em meados do século XIX. Assim, diversos navios do início da guerra foram projetados e construídos no Brasil.

As embarcações eram, portanto, adequadas para operar no mar, e não nas condições de navegabilidade restrita e águas pouco profundas, como as dos rios Paraná e Paraguai. A possibilidade de encalhar era um perigo constante. Além disso, os navios possuíam casco de madeira, muito vulneráveis à artilharia de terra que ficavam posicionadas nas margens.

Esquadra paraguaia

A esquadra paraguaia possuía 32 navios, incluindo embarcações retidas do Brasil e Argentina no início da guerra. Desse total, 24 eram navios de propulsão mista – a maioria de madeira, movida por rodas de pás. Embora todos fossem adequados para navegar nos rios, somente uma embarcação, o Taquari, era um verdadeiro navio de guerra.

Diante da necessidade de usar equipamentos mais modernos, os paraguaios desenvolveram a chata com canhão como arma de guerra. Tinha um fundo achatado, sem propulsão, com um canhão de seis polegadas de calibre. Era rebocada até o local onde seria posicionada. A embarcação transportava apenas a guarnição do canhão. Sua borda ficava próxima à superfície da água, deixando à vista um reduzidíssimo alvo, em que se via somente a boca do canhão.

Antecedentes da Batalha
Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval nas operações de guerra. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre.

Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação que garantiam o transporte de suprimentos de guerra ao Paraguai. Dessa forma, a estratégia adotada pelos aliados foi o bloqueio naval. As forças brasileiras foram organizadas em três divisões. Uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior, o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a Comodoro, em outras Marinhas) Francisco Manoel Barroso da Silva, para comandar a Força Naval.

Barroso partiu de Montevidéu, em 28 de abril de 1865, a bordo da Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista.

A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade argentina de Corrientes, ocupada pelos paraguaios. A operação de desembarque transcorreu sem problemas no dia 25 de maio. Contudo, não foi possível manter o controle da cidade e, logo depois, ela foi evacuada. Ficou evidente que a presença da Força Naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.

Batalha

A Força Naval Brasileira, comandada por Barroso, estava fundeada no Rio Paraná, próxima à Cidade de Corrientes, na madrugada do dia 11 de junho de 1865.

O plano do Paraguai era surpreender os navios brasileiros na alvorada do dia 11, abordá-los e, após a vitória, rebocá-los para a cidade paraguaia de Humaitá (onde estava localizada uma fortaleza de mesmo nome).

Para aumentar o poder de fogo, a Força Naval paraguaia, comandada pelo Capitão-de-Fragata Pedro Ignácio Mezza, rebocava seis chatas com canhões. A Ponta de Santa Catalina, próxima à foz do Riachuelo, foi ocupada pelos paraguaios. Havia também tropas de Infantaria posicionadas para atirar nos navios brasileiros que escapassem.

No dia 11 de junho, aproximadamente às 9hs, a Força Naval brasileira avistou os navios paraguaios descendo o rio e se preparou para o combate. Às 9h25 foram disparados os primeiros tiros de artilharia. A Força Naval paraguaia passou pela brasileira, ainda imobilizada, e foi se abrigar junto à foz do Riachuelo.

A Força Naval brasileira desceu o rio, perseguindo os paraguaios. Sem saber que a margem estava artilhada, o comandante Francisco Manoel Barroso da Silva deteve seu capitânia (nau que leva o comandante), a Fragata Amazonas, para impedir uma possível fuga dos paraguaios.

Com a manobra inesperada, algumas das embarcações brasileiras retrocederam e a Fragata Jequitinhonha encalhou em frente às baterias de Santa Catalina. O primeiro navio da linha, o Belmonte, passou por Riachuelo separado dos outros, sendo alvo do fogo concentrado do inimigo. Depois, encalhou propositadamente, para não afundar.

Corrigindo sua manobra, Barroso assumiu o comando dos outros navios brasileiros e fez a passagem, combatendo a artilharia da margem sob a fuzilaria das tropas paraguaias. Completou-se assim, aproximadamente às 12h, a primeira fase da batalha. Até então, o resultado era insatisfatório para o Brasil.

O Belmonte estava fora de ação, a Jequitinhonha encalhada e, o Parnaíba, com avaria no leme, havia sido dominado pelo inimigo, apesar da resistência heróica dos brasileiros como o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Marinheiro Marcílio Dias, que lutaram até a morte. Diante do cenário, Barroso decidiu regressar. Desceu o rio, fez a volta com os seis navios restantes e, logo depois, estava novamente em Riachuelo.

Tirando vantagem do porte da Amazonas, Barroso usou seu navio para abalroar e inutilizar as embarcações paraguaias e vencer a batalha. Quatro navios inimigos fugiram perseguidos pelos brasileiros.

No fim da tarde de 11 de junho, a vitória era brasileira. A esquadra paraguaia havia sido praticamente aniquilada e não teria mais participação relevante no conflito. Estava, também, garantido o bloqueio que impediria que o Paraguai recebesse armamentos do exterior. Foi a primeira grande vitória da Tríplice Aliança na guerra e, por isso, muito comemorada.

Com a vitória em Riachuelo, a retirada dos paraguaios da margem esquerda do Paraná e a rendição dos invasores em Uruguaiana, os aliados acreditaram que guerra terminaria logo. Isso, porém, não ocorreu.

O Paraguai era um país mobilizado e Humaitá ainda era uma fortaleza invencível para os navios de madeira que venceram a Batalha Naval do Riachuelo. A guerra foi longa, difícil e causou muitas mortes e sacrifícios.


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