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A verdade sobre a campanha anti-isabelista

Publicado em: 03/06/2013

J.P. Saboia-Bandeira de Mello
Conselheiro Consultivo do Instituto Dona Isabel,  agraciado por duas  Casas Dinásticas africanas

Não sem propósitos subalternos, aflora na mídia campanha de depreciação da memória da Princesa Isabel, buscando minimizar sua importância, e a de seu pai, D. Pedro II, na Abolição.

Repetem argumentos superficiais, como teria o Brasil sido “o último país” a proibir o trabalho escravo; que a Abolição viria “de qualquer maneira”; que D. Isabel aderiu tardiamente e por oportunismo, etc.
A verdade é outra, todavia.

É mentira que o Brasil tenha sido “o último país”. E a exploração da mão-de-obra escrava foi aqui introduzida por portugueses, não por brasileiros.

Considerando que, como país, existimos só  a partir de 1822, então temos que a escravidão, entre nós, durou de 1822 a 1888, ou seja, 66 anos, enquanto, nos países europeus principalmente em suas colônias, atravessou séculos!

Os escravos que viviam nos EUA até a sua independência, eram escravos ingleses; os das colônias francesas, escravos franceses; e daí por diante.

Mas ninguém fala na responsabilidade de países da Europa no tráfico negreiro, preferindo vergastar as costas largas do Brasil, como se a escravidão houvesse sido aqui criada!

Repetem à exaustão que fomos “o último país a abolir”, como se escravidão não fosse o que os belgas faziam no “Estado Livre do Congo”. Os fatos são notórios; leia-se, à propósito, o artigo de Emerson Santiago, sob este título, em www.infoescola.com:

“Os belgas irão escolher a borracha como principal produto a ser cultivado na colônia, e logo se inicia exploração escravagista da população local. Os africanos eram convocados sob a mira das armas, trabalhavam turnos de até 18 horas e tinham a mão direita cortada caso não atingissem a cota estabelecida. Consequentemente, suas pequenas lavouras eram abandonadas, e, sem alimentos, logo uma crise de fome se segue. Aliás, a prática de mutilação das mãos correu o mundo através de fotografias publicadas nos jornais, tornando-se o símbolo da terrível administração belga”.

Enquanto no Brasil a escravidão marchava para o fim, a civilizadíssima Bélgica criava um estado-escravo, em condições muito mais degradantes do que as vividas pelos afro-brasileiros. Inquérito levado a efeito pelo governo inglês, tendo em vista a participação de britânicos na exploração odiosa, constatou que  não apenas mãos eram decepadas, mas, igualmente, genitálias que penduravam em cercas de arame farpado . A Polícia Colonial era formada recrutando-se, principalmente,  em tribos de canibais, inimigas históricas das dos escravizados . A ela cabia vigiar as aldeias submetidas, e capturar e punir os que não atingissem as cotas segundo fosse avaliado pelo feitor europeu  (que, geralmente, fraudava na pesagem, embolsando a diferença) . Para evitar que, de qualquer forma, os escravos belgas invocassem a legislação da metrópole em seu favor, o território era, oficialmente, considerado, não colônia, mas um “estado-livre”, administrado em nome do Rei Leopoldo II, como se fosse ele soberano de dois países independentes !

Esta barbárie teve a conivência de diversos países da Europa, que reconheceram a autoridade de Leopoldo sobre o “Estado-Livre do Congo” na Conferência de Berlim, em 1855, e durou até 1908. Conforme o artigo citado,  “ a partir daí, surgiria o chamado Congo Belga, com uma administração também rígida, mas menos brutal que a exercida por Leopoldo” .

Como é mais interessante “bater” na Princesa Isabel do que em Leopoldo II, o Brasil, e não a Bélgica, passa a ser “o último país” a abolir a escravidão!

Mas o “último” também não foi a Bélgica. Na Etiópia, país africano cristão, a escravatura era legal até os anos 30, pelo menos.

Em alguns países islâmicos seguiu formalmente, e a Mauritânia foi o último a aboli-la, já em 1981. Abolição, aliás, “pró-forma”, porque uma lei considerando crime manter escravos, só seria aprovada em 2007.

Mas, para os “iconoclastas” nossos patrícios, Bélgica, Etiópia, Mauritâmia, não existem, daí ter sido o Brasil “o último”...

Outro argumento falacioso, é que os escravos foram libertos, mas não foram integrados à sociedade, passando a formar uma legião de despossuídos. Certo, mas a Abolição se deu em 13 de Maio de 1888, e, em 15 de Novembro de 1889 foi proclamada a República. Querem o que? Que D. Pedro II em menos de 2 anos tivesse feito a Reforma Agrária? O que a Princesa Isabel tem a ver com o abandono dos libertos pela República Velha?!

Diz-se que Dona Isabel só abraçou a causa quando a libertação era inevitável. “Inevitável” em termos, porque os próprios latifundiários não se recusavam a libertar seus escravos, mas só aceitavam fazê-lo se indenizados, ou seja, arruinando o Tesouro. Esta reivindicação adentrou a República , e durou até Ruy Barbosa, Ministro da Fazenda, mandar queimar os registros comprobatórios da propriedade de seres humanos.

A contrapartida previsível  à não-indenização, não fosse o ato corajoso da Dinastia Orleans e Bragança,  seria a guerra genocida entre negros e brancos, à semelhança do que aconteceu no Haiti, então colônia francesa. Lá os brancos foram trucidados, e, anos depois, a escravidão restaurada pela metrópole. Negros que tinham sido deputados na Assembléia Nacional, na Revolução Francesa, foram sumariamente executados. Outros, que haviam obtido patentes de oficial no exército republicano francês, tiveram as dragonas pregadas nos ombros nus, entre outras atrocidades.
Esta a chantagem: “ou nos pagam, ou não libertamos, e tudo acaba por explodir”.
Arrimavam-se  no exemplo dos EUA, onde,  para abolir a escravidão, foi necessária uma guerra fratricida.

D.        Pedro II, com o apoio entusiástico de Dona Isabel, teve a habilidade de, em uma estratégia gradualista, impedir tanto o morticínio, como a quebra do  Tesouro.
A participação da Princesa não se limitou a assinar a Lei Áurea, quando em regência eventual. Protegia e ocultava escravos foragidos, chegando mesmo a garantir a livre existência de um quilombo no atual Leblon, no Rio, que era conhecido por “Quilombo Le Bloom”, o que deu nome ao bairro. Lá cultivavam e vendiam flores, principalmente camélias, com as quais a Princesa decorava ostensivamente sua residência, o Palácio Laranjeiras. Era um recado às autoridades, para que não ousassem atacar o território quilombola.

Sob a proteção de Sua Alteza, a população foragida aumentou sempre, até a abolição, com os escravos sendo incentivados a fugir, acolhidos, e encaminhados, pela Confederação Abolicionista.

Mas há quem não se conforme que nem sempre a violência seja “parteira da história”, e que nem toda história das sociedades seja “a história das lutas de classe”. Daí quererem dar os méritos de Isabel a Zumbi, como se entre ambos não existissem quase 200 anos de interregno, e se o sertão de Alagoas fosse “pertinho” do Rio de Janeiro! Ora, cada um com seu mérito, em sua época e lugar, e não é necessário demolir a reputação de um, para enaltecer a de outro.

Este ódio pelo fato de uma conquista fundamental ter sido obtida entre aclamações e gritos de júbilo, e não pela fuzilaria e troar de canhões, se mostra como precedente inaceitável para os que ainda sonham com utópicas revoluções, que muito prometem , pouco cumprem, e geralmente devora seus próprios filhos, reproduzindo o Saturno mitológico. Então “joga pedra na Princesa !”. Só se tornou abolicionista “porque não tinha mais remédio”; “o Brasil foi o último país a abolir”; “D. Pedro II era escravagista”, e outras sandices do gênero.

Em especial, buscam torpedear o processo de beatificação em curso nas instâncias competentes da Igreja Católica, que se tornou o alvo prioritário dos que estão enganados, ou querendo enganar.


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