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A outra margem do Rio Branco

Publicado em: 30/11/2012

Luís Severiano Soares Rodrigues
Economista, pós-graduado em história, sócio 
correspondente do Instituto Histórico e 
Geográfico de Niterói e Artista Plástico

O ano de 2012, marca o centenário da morte do barão do Rio Branco, e como não poderia deixar de ser, vários eventos em homenagem ao grande brasileiro que foi José Maria da Silva Paranhos Júnior, registram essa efeméride, através de exposições e ciclos de conferências em várias partes do país, feitos por instituições do nível Fundação Alexandre de Gusmão, ligada ao Itamarati, da Academia Brasileira de Letras, que lembra um dos seus membros, e o Instituto histórico e Geográfico Brasileiro, que lembra nesse momento um dos seus ex-presidentes e da Biblioteca Nacional; entre outras grandes instituições culturais do nosso país.

Ao falecer em 1912, Rio Branco ocupava a pasta ministerial das relações exteriores há 10 anos, algo notável a qualquer tempo, fôra chamado a esse posto em 1902 pelo conselheiro Rodrigues Alves (o presidente preferia usar o título que o Imperador havia lhe concedido), sendo o próprio Rio Branco conselheiro imperial, e permanecerá na mesma pasta nos próximos 3 mandatos presidenciais, com 4 presidentes, pois com o falecimento do também conselheiro Afonso Penna assumiu o vice-presidente Nilo Peçanha. Exalta-se nas comemorações desse ano o grande diplomata, que se notabilizou, sobretudo na república, por sua dedicação e êxitos na solução das negociações com nossos vizinhos nas questões dos limites de nossas fronteiras, e em alguns casos a incorporação, pelos meios diplomáticos, de significativos territórios ao patrimônio brasileiro, como foi o caso do Acre. Louva-se também , o homem que ao fim de sua vida era uma unanimidade nacional, por todos respeitado e aclamado como o maior brasileiro vivo. No entanto, a explicação para os sucessos do 2° Rio Branco, certamente não estão na esfera republicana brasileira, pelo contrário, o que explica os sucessos desse grande homem, não é a margem republicana de sua vida, mas a outra margem, que ele nunca negou, a do grande monarquista a serviço da pátria.          

Filho de um grande homem do Império, que foi o visconde do Rio Branco, que inclusive foi chefe de governo e várias vezes ministro de Estado. O barão do Rio Branco sempre tributou o seu amor filial, espelhando-se no exemplo paterno de patriotismo e lealdade ao país e ao Imperador. Sua formação, desde criança, era direcionada para a dedicação ao serviço público, no mais alto significado dessa expressão. Então a queda do Império foi uma amarga realidade para ele, então cônsul em Liverpool,  como nos conta seu filho Raul, nas Reminiscências do Barão do Rio Branco, pags.105/106: “ A queda do regime imperial foi logo depois o golpe mais rude que meu pai sofreu em toda a sua existência, acarretando-lhe uma crise de sentimento e de vontade” “Dois elementos eram para ele essenciais nessa crise. Primeiro, a injustiça e a ingratidão que sofreu o Imperador, pelo qual tinha, como a maioria incontestável dos brasileiros, um verdadeiro culto, inspirado, em proporções iguais, de gratidão mais cívica que pessoal, e de respeitosa admiração. Depois, as apreensões patrióticas quanto ao futuro de um país ainda jovem, diante das ambições individuais ou coletivas inevitáveis, uma vez afastado o alto árbitro que as havia sempre conciliado, com imparcialidade e abnegação, em benefício do interesse superior da nação. Esse árbitro tudo resolvia sabiamente, tendo em conta não só o passado recente mas também o futuro remoto; e não sacrificava, nunca, como acontece em geral aos governos eletivos, os interesses gerais aos da política interesseira e de grupos”. Segue-se ao choque um momento de exitação, se continuaria a serviço da república, e consulta o Imperador, sobre o quê fazer, através do conde de Nioac, o qual regressa com a resposta de SMI, a qual não poderia ser outra, que não, a se um homem da estatura de sua grandeza, que foi a seguinte: “diga ao Rio Branco que ele é um bom servidor do país, ao qual terá talvez ocasião  de prestar serviço. Deve ficar no seu posto, no que depender dele, pois poderia cair em mãos menos dignas, que se aproveitassem do momento. Que continue  a trabalhar pelo Brasil. Eu passo, o Brasil fica”. (ibdem pag. 107).

Mesmo servindo ao país na república, Rio Branco continua leal ao monarca deposto pela covarde traição, e quando do falecimento do grande soberano, em 05 de dezembro de 1891, Rio Branco vai a Paris para os funerais de chefe de Estado, que a república francesa dá ao extinto Imperador sob os protestos do representante diplomático da república brasileira. Rio Branco na cerimônia anterior as exéquias, para os brasileiros, beija a mão do imperador falecido, e beija a mão da princesa herdeira, reconhecendo assim a sua Imperatriz de direito.

Fiel a missão que o Imperador lhe confiou, de seguir em frente e cumprir o seu dever pela grandeza da pátria, que ele o fez com magistral habilidade, dando base para os novos rumos da política externa brasileira. Isso não passa em branco aos seus biógrafos,  que foram muitos, como em Affonso de Carvalho, que nos afirma: “ Rio Branco é, então, em plena república, a presença do Império, no que o  velho regime representa de consciência nacional; de tradição diplomática, de ética política, de continuidade histórica. O homem providencial” (pag.123), ou ainda Rubens Recúpero (RB uma biografia fotográfica, pag. 113) citando uma carta dele para Joaquim Nabuco, afirmando ser a Monarquia parlamentar “uma forma de governo mais adiantada que a república”, não sendo em benefício da família de Bragança, mas do país “que os Andradas, Vasconcelos, Feijós, Evaristos procuraram fazer do Brasil uma exceção na América”. O quanto Rio Branco foi providencial, basta pensarmos na questão de Palmas, por ele resolvida com sucesso a nosso favor, e a estupides republicana de Quintino Bocaiuva, no governo provisório, querendo dar aquele território brasileiro de mãos beijadas para os argentinos.

No seu intento de fazer bem o seu trabalho, e a manutenção da seriedade nas relações exteriores do Brasil, Rio Branco, apela para patriotismo de outros monarquistas, como Joaquim Nabuco, para voltarem ao serviço diplomático na república, e caberá a este ser o primeiro embaixador brasileiro, no posto que cada vez mais tomará relevo nas nossa relações exteriores, que é os Estados Unidos da América, e marca uma mudança no eixo das nossas relações estratégicas.
Rio Branco  ao longo de sua vida profissional, na república, não abre mão  dos símbolos que a monarquia lhe legou, como prêmios pela sua dedicação ao país, como ao entregar as suas credenciais de ministro plenipotenciário da república, em Berlim, ao Kaiser Guilherme II, com as condecorações imperiais, orgulhosamente ornando o seu peito.

Nem o avançar da república em anos, esmoreceu o seu monarquismo, pois quando da tentativa de desembarque do príncipe D. Luiz no Rio de Janeiro em 1907, o ministro da Austria-Hungria em carta ao seu governo, afirma: “ O setor da sociedade brasileira propenso à monarquia tem-se retirado, quase completamente, da vida pública nos últimos anos, como ouço em geral (...) Contudo, não se deve negar que, até na família do senhor ministro do exterior atual, cuidam, com prazer, para tornar a memória da Família imperial especialmente bem respeitada e, também, bem explícita aos visitantes da casa”.(citado pela prof. Teresa Malatian, no seu D. Luis de Orleans e Bragança peregrino de impérios, pag. 128)

A essa altura Rio Branco, era uma unanimidade, e cito Euclides da Cunha: “Felizmente continuo a olhar para o Ministro a quem tenho servido – o único grande homem vivo dessa terra – com a mesma admiração e simpatia. E até com assombro: é lúcido, é gentil, é trabalhador, e traça na universal chateza destes dias uma linha superior e firme de estadista” In Rio branco 100 anos de memória- MRE/FUNAG 2012. (o pobre Euclides, logo ele tão republicano, ter de admitir que na república só um monarquista ter a estatura de estadista e merecer sua admiração). Quando os aduladores vinham lhe falar que ele era o maior dos brasileiros de todos os tempos, e o incentivarem a concorrer à presidência da república, Rio Branco não exitava em dizer que o maior brasileiro de todos os tempos foi D. Pedro II.
E assim é, as merecidas homenagens, que por todo po Brasil se manifestam, homenageiam um homem que foi grande, porque a sua formação monarquista o protegeu da corrupção republicana que desgraça o nosso país desde o 15 de novembro. Então, honra ao Rio Branco.


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