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Artigos históricos

Sagração e coroação de D. Pedro II

Publicado em: 15/09/2011

“Às 11 horas da manhã do dia 18 de Julho S. M. I. determinou que seguisse o Cortejo para a Capela Imperial, na forma do programa n.º 2. O Corpo Diplomático aguardava a passagem e chegada de S. M. I. no passadiço, que comunica o Palácio com a Capela Imperial. Um quarto de hora depois chegou S. M., tendo ao lado esquerdo suas Augustas Irmãs, e recebido o cortejo do Corpo Diplomático, ao
qual S. M. se dignou corresponder com a maior afabilidade, despediu-se delas, e esperou de capacete na mão que passassem todas as senhoras, que formavam o cortejo de SS. AA. A este tempo já tinha aparecido na varanda o manto do Fundador do Império e a espada Imperial do Ipiranga, e já as tropas estavam em continência tocando o hino da independência, cujas recordações tornavam
o ato mais solene. Apenas S.M.I. apareceu na varanda, foi saudado por um viva entusiástico de topo o povo que se achava na praça, ao qual S. M. se dignou corresponder; e assim foi saudado até entrar na Capela Imperial.

S. M. foi recebido à porta da Igreja pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor e Cabido, e descoberto recebeu a aspersão do mesmo Bispo, e, pondo depois na cabeça o capacete de cavaleiro, dirigiu-se à Capela do Sacramento onde, tirando-o, fez oração, e repondo-o dirigiu-se aos cancelos, onde foi recebido por uma deputação de seis Bispos, com seus assistentes, mandada pelo Exm.º Arcebispo Metropolitano, que em faldistório o esperava no presbitério. S. M., saudando esta deputação, tirou o capacete, saudou SS. AA. Irmãs que já se achavam na tribuna, a cruz e o sagrante; subiu ao Trono, onde se sentou. Revestidos os seis Bispos, vieram em deputação buscar S. M., que subiu ao presbitério, levando à direita
o Condestável, à deste o Mordomo-Mor, à deste o Reposteiro-Mor, e à deste o Mestre de Cerimônias da Corte, e à esquerda o Camarista-mor, à deste o Camarista de semana, à deste o Capitão da guarda, e à deste o Mestre de Cerimônia do Sólio. Aproximandose S. M. ao sagrante, tirou o capacete, fez uma reverência. e o
Exm.º Ministro da Fazenda o recebeu em uma rica salva, que tinha levado a coroa, e o fez colocar na credência.

Sentado o Imperador em uma rica cadeira fronteira ao sagrante, a qual foi ministrada pelo Reposteiro-Mor, que a recebeu do Guardatapeçarias, ouviu o discurso do mesmo celebrante, e levantandose, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, e o Exm.º Ministro da Justiça leu a protestação de fé. Tendo o Exm.º celebrante o missal aberto no seu regaço, S. M. I. pôs ambas as mãos sobre ele e disse: - Sie me Deus adjuvet, et haec sancta Dei evangelia. - E fechando o missal, beijou a mão do celebrante. Levantando-se S. M. ajoelhou segunda vez, o ouviu a oração do celebrante, finda a qual levantando-se foi ajoelhar ao lado do
Evangelho, prostrando-se sobre o genuflexório em duas almofadas, uma para os joelhos e outra para encostar a cabeça, e ouviu as ladainhas, versos e duas orações.

Findo este ato, S. M. levantou-se, aeio para diante do celebrante, e despiu os Colares do Tosão de Ouro, da Torre e Espada, e de Santo André da Rússia, que foram recebidos pelo Exm.º Visconde de S. Leopoldo; entregou a espada de cavaleiro ao Exm.º Ministro da Guerra, e o Camareiro-Mor tirou-lhe o manto de cavaleiro e as luvas, entregando o primeiro ao Exm.º Visconde de Baependi, e a segunda ao Exm.º Conde de Valenna. Depostas estas insígnias, foi S. M. I.
ungido no pulso do braço direito, e esta unção foi purificada pelo Exm.º Bispo de Crisópolis com globos de algodão e micapanis ministrados por um moço fidalgo. S. M. I. inclinou-se depois sobre o regaço do celebrante, e foi ungido nas espáduas por uma abertura praticada na veste imperial, e depois de purificada a unção pelo
mesmo Exm.º Bispo, o Exm.º Camareiro-Mor fechou novamente a veste por meio de colhetes para isto destinados.

Terminadas as unções, o Mestre de Cerimônias do sólio, conduzindo o Diácono ao altar, entregou-lhe o manto imperial, este o deu ao celebrante, que o vestiu a S. M. I., ajudado pelo Camareiro-Mor. O mesmo Mestre de Cerimônias entregou ao Diácono a murça, este a ofereceu ao celebrante, que revestiu S. M. com ela. Feito isto, S. M. I. subiu ao Trono, acompanhado pelos quatro Bispos mais antigos, e por toda a sua comitiva. Seguiu-se a Missa até o último verso do gradual exclusive, e então S. M. I., tendo sido avisado pelo Mestre de Cerimônias da Corte, dirigiu-se ao altar, acompanhado das pessoas acima mencionadas, e dos quatro Bispos e assistentes para receber as insígnias imperiais. Chegado defronte do celebrante, e feitas as vênias do costume, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor. O Diácono foi então ao altar, trouxe a espada embainhada, e
chegando ao pé do celebrante, desembainhou-a, e dando a bainha ao Ministro da Guerra, que foi chamado para esse ministério, ofereceu a mesma espada pela extremidade da folha ao Exm.º celebrante, o qual tomando-a pela mesma extremidade, ofereceu-a a S. M. pelos copos, dizendo a oração - accipe gladium etc.

Acabada a oração, o Exm.º celebrante recebeu outra vez, a espada da mão de S. M. I., e entregou-a ao Diácono; este deu-a ao Ministro da Guerra que a meteu na bainha, e tornando a oferecê-la ao Diácono, este apresentou-a de novo ao celebrante, que a meteu no cinturão de S. M., dizendo as palavras - Accingere gladium etc. - Finda esta cerimônia, S. M. I. levantouse, e desembanhando a
espada, fez com ela alguns movimentos ou vibrações, e correndo-a pelo braço esquerdo como quem a limpava, meteu-a na bainha, e tornou a ajoelhar.
O Exm.º celebrante levantando-se foi ao altar buscar a Coroa Imperial, e chegando defronte de S. M., lha ofereceu; S. M. pós a Coroa na cabeça, e tanto o Arcebispo celebrante como os Bispos, pondo a mão direita sobre ela disseram ao mesmo tempo as palavras - Accipe coronam imperii etc. Depois disto o Diácono foi ao
altar buscar o anel e as luvas cândidas na mesma salva em que estavam, e ofereceu estas insígnias ao Exm.º celebrante, o qual calçou as luvas em ambas as mãos a S. M., e lhe meteu o anel no dedo anular da mão direita. O mesmo Diácono voltou ao altar a buscar o globo Imperial, e ofereceu-o ao celebrante, e este o
ofereceu a S. M., que o entregou ao Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros. O Diácono foi novamente ao altar buscar a mão da justiça, e a entregou ao celebrante; este a ofereceu a S. M., que a entregou ao Exm.º Ministro da Justiça. Finalmente o Diácono foi ao altar, e trazendo o cetro, ofereceu-o ao celebrante: este o apresentou
a S. M. na mão direita, dizendo as palavras: Accipe virgam virtutis.

Acabada esta cerimônia, levantou-se S. M., e acompanhado pelo Exm.º Celebrante à direita, pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor à esquerda, e pelos mais Bispos assistentes no altar e mais comitivas, subiu ao Trono, sentou-se, e o celebrante disse as palavras. - Sta. etc. S.M.I. conservou-se sentado em todo o tempo do Te Deum, versos e duas orações cantadas pelo Exm.º Arcebispo, que ficou em pé à sua direita e descoberto, e em seguimento deles os ministros do altar. No primeiro degrau do Trono, junto ao Capitão da guarda, estava o Exm.º Ministro da Justiça com a sua insígnia; adiante o Exm.º Ministro dos Estrangeiros com o globo; o Condestável no seu lugar, assim como toda a mais comitiva. Findo o Te Deum e as orações, seguiu-se a Missa, assistindo S.M.I. ao Evangelho, sem coroa, e beijou-o no fim no livro apresentado pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor.

Acabado o ofertório, S.M.I., seguido pelas pessoas que já referimos, dos quatro Bispos mais antigos, do Bispo Esmoler-Mor e do Copeiro-Menor, sustentando na mão esquerda os dois pães em uma salva, e na direita o círio acesa, subiu ao altar, e ajoelhando em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, recebeu das mãos do Bispo Esmoler-Mor, e ofereceu ao celebrante o pão de prata, o de ouro, e o círio aceso, no qual estavam encrustadas treze peças de 10$ rs. em ouro. Isto feito, S.M.I. retirou-se ao Trono com as vênias do costume. Continuou a Missa, sendo S.M.I. incensado de cetro e coroa pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor. S.M.I. esteve sem coroa desde o Sanctus até ao Communio, exclusive, recebendo unicamente a paz por amplexo ao Exm.º Bispo Capelão-Mor. S.M.I. esteve igualmente sem coroa enquanto se recitaram as orações e evangelho do fim da Missa.

Acabada a bênção, o Exm.º Bispo Capelão-Mor concedeu duzentos e quarenta dias de indulgências aos assistentes, que foram publicadas pelo Cônego Mestre de Cerimônias do Sólio. Acabada a Missa, S. M. I. sentou-se sem coroa para ouvir o sermão, que foi pregado pelo Reverendíssimo D. Abade Geral dos Bentos, que tomou por tema Sadoc sacerdos ... unxit Salomonem...Salomon autem sedit super thronum patris sui, et firmatum est regnum ejus nimis. O Pontífice Sadoc sagrou a Salomão; este tomou posse do trono de seu pai, e seu reino se firmou em sólidas
bases.

Findo o sermão, o Mestre de Cerimônia da Corte, tendo recebido as ordens de S. M., mandou desfilar o cortejo para a varanda, o qual partiu na ordem seguinte:
A Câmara Municipal e os Juizes de Paz, que se colocaram no pavilhão do Prata; os indivíduos que vieram em deputações assistir ao ato da Sagração; os membros dos tribunais da Corte; os titulares; os membros da Assembléia Geral Legislativa; a Corte, tendo em frente o Rei de Armas, Arauto e Passavante; os Porteiros da maça e da cana; os moços da câmara; o Porteiro da Imperial Câmara; os Oficiais da Câmara em exercício; os moços fidalgos; os Grandes do Império, e os que de Grandeza têm as honras, indo em alas a estes os porta-insígnias. Logo que o Mestre de Cerimônias da Corte avisou a S.M.I. que o cortejo tinha desfilado, desfilou o Cabido com as duas cruzes, a arquiepiscopal e a catedrática, assim como
os Bispos e Arcebispo. Feita a oração ao SS. Sacramento, S.M.I., de coroa e cetro, debaixo do pálio, tendo à direita o condestável, à deste o Exm.º Ministro da Justiça com a mão alçada, e ÈL deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo imperial, em frente o Alferes-Mor e o Mestre-de-Cerimônias, e depois o
Camareiro-Mor pegando na cauda do manto, o Capitão da guarda, o Camarista de semana, o Reposteiro-Mor, desceu até a porta principal da igreja, e, ao sair do adro, foi saudado por entusiásticos vivas da Imensa população, que, ávida, aguardava a vista do seu Monarca, e S.M.I. graciosamente agradeceu esta primeira saudação.
Subiu S. M. ao pavilhão do Prata, onde os Grandes do Império largaram o pálio aos moços da câmara, que ali lho tinham entregue., e estes aos porteiros que estavam no mesmo pavilhão.

S.M. dirigiu-se à sala do Trono da varanda, e em círculo formado pela Representação Nacional, pelo Cabido, Grandes do Império, Grandes Dignitários da Corte, Câmara Municipal, Tribunais, e Oficiais-Mores da Casa, subiu ao Trono, acompanhando pelo Exm.º Arcebispo Sagrante, fazendo uma reverência a SS. AA. II., que estavam com todas as Damas na sua respectiva tribuna, e outra ao Corpo Diplomático, que já se achava na tribuna fronteira, e recebendo a mão da justiça do Exm.º Ministro respectivo, com ela na esquerda, e com o cetro na direita, foi saudado pelo Cabido, indo dois a dois até o primeiro degrau do Trono fazer sua profunda reverência, dizendo - Per multos annos. - Feito Isto por todos, e pelos
Exmos. Bispos e Reverendíssimo Sagrante, desfilou o Cabido pelo pavilhão do Prata. Imediatamente S. M. I., descendo do Trono, velo apresentar-se ao seu fiel povo pela maneira seguinte:

O Condestável tomava a direita do Imperador, à daquele o Exm.º Ministro do Império com a Constituição na mão, à deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo Imperial, à deste o Exm.º Mordomo-Mor, e à esquerda de Sua Majestade o Alferes-Mor, os Exm.08 Ministros da Justiça, da Fazenda e da Guarda. Assim em linha marchou Sua Majestade até em frente às colunas do grande
templo da varanda, e no centro da Representação Nacional, e de todos os que levamos referidos, mandou ao Mestre-de-Cerimônias da Corte que fizesse funcionar o Rei de Armas, o qual estava em um degrau próprio, dentro de um maciço formado por uma seção da guarda de Arqueiros, porteiros da cana e da maça, e moços da
câmara, o pelos charameleiros imperiais. Então o Rei de Armas, alçando a mão direita, na qual tinha um rico chapéu de plumas, disse em alta voz: - Ouvide, ouvide, estai atentos! - A este tempo o Exm.º Alferes-Mor saindo da linha avançou em frente ao peristilo do templo, o desenrolando a bandeira disse: Está sagrado o muito alto e muito poderoso Príncipe o Senhor D. Pedro II por graça de Deus, e unânime aclamação dos povos. Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. - Viva o Imperador!

O Alferes-Mor não pôde repetir três vezes, como lhe cumpria, os vivas a S.M.I., porque os do Imenso concurso do povo lhe não deram lugar, nem a emoção que todos possuíam poderia deixar de tocar também o Alferes-Mor. Então S.M.I. determinou ao Mestre-de- Cerimônias que dissesse ao General que mandasse começar as descargas, e a lato não ter sido assim, o entusiasmo do imenso concurso do povo, que era tanto quanto na praça, cabia, não dava lugar a esperar-se ocasião. S.M.I. não pôde assistir senão a 1.ª descarga, porque o sol, que estava bastante forte, lho não permitiu, ainda que o Exm.º Alferes-Mor, com a bandeira, o garantia de seus raios. O Imperador, fazendo três reverências ao seu povo, uma à direita, outra ao centro, e outra à esquerda, retirou-se ao Trono entre vivas e aclamações, e subindo a este sentou-se, colocou a coroa em um bufete que estava ao lado da cadeira imperial, e sentado recebeu o cortejo de todos aqueles cidadãos, que estavam no pavilhão do Amazonas, findo o qual contramarcharam a fazer-lho os que estavam no pavilhão do Prata, e o dos Representantes da Nação. Logo que
todos os que estavam no salão cumpriram este dever, S.M.I. ordenou que desfilasse a Corte, e, descendo do Trono, saudou a suas Augustas Irmãs, que estavam na tribuna, e ao Corpo Diplomático, que se achava na outra fronteira, e retirou-se à sala do Trono do Palácio, encontrando-se no passadiço com SS. AA. Irmãs, e com elas incorporado, recebeu ali as Senhoras de distinção, a quem as Janelas do Paço foram oferecidas para verem a aclamação do seu Monarca.

É impossível descrever a beleza, que apresentavam estas janelas ornadas todas de damas ricamente vestidas, que a porfia se disputavam a preferência do entusiasmo.
Concluída a felicitação das damas, S.M.I. se dirigiu ao seu aposento pela galeria maior do Paço, e ordenou que o banquete fosse servido às 6 horas. Um Imenso concurso de pessoas distintas assistiu ao banquete de S.M.I., que foi servido segundo o programa (A). Duas ricas bandas de música tocaram durante este festim. Retirado o Imperador aos seus aposentos, serviu-se uma mesa de noventa e seis talheres a todos os funcionários da Corte. As 8 horas da noite, franqueou-se a varanda e o Paço para serem visitados pelas pessoas decentemente vestidas, que se apresentassem com este intuito.

Supõe-se que de doze a quinze mil pessoas os visitaram. As 10 horas da noite anunciou-se que acabava a visita, e o bom povo que não tinha podido entrar paciente esperou o dia seguinte. Se o concurso for tanto como na primeira noite, os cinco dias destinados para tais visitas serão poucos para satisfazer a avidez e curiosidade pública. Tanto a mesa do banquete como a credência das insígnias
têm estado expostas no novo salão que tem de servir para o Trono.


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