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Policarpo Quaresma e a república que não foi...

Publicado em: 15/09/2011

Edvaldo F. Esquivel
Baiano, jornalista e estudioso
da monarquia brasileira
edesquivel@oi.com.br

Existe coisa tão típica dessa república-presidencialista brasileira do que falar, hoje em dia, da pobreza da ação político-partidária?  Ou mesmo das diatribes do tal PR, envolvido até o pescoço nos escândalos do Ministério dos Transportes, que fizeram cabeças rolar?  Nem me falem... Pior que o espetáculo do sub-desenvolvimento político reinante nesse país não para de crescer, e, logo surgiram novas denúncias de superfaturamento no Ministério da Agricultura e, em seguida, no Ministério do Turismo, com outras cabeças rolando planalto abaixo.

Além de entristecer a nação, as denúncias de superfaturamento de obras públicas no Ministério dos Transportes suscitaram artigos primorosos na mídia nacional. Curioso exemplo é o de Roberto Pompeu de Toledo, na “Veja” (edição de 13/07/2011), intitulado “A república que não foi”. Será? Inspirado no romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto (1881-1923), um clássico da literatura brasileira, o jornalista ensina: “Mesmo quem não leu o livro tem uma idéia de quem se trata – o patriota tão patriota, tão enamorado e orgulhoso das coisas do Brasil”, que acabou esmagado pelo poder”.

Toledo vai direto à transição que o personagem sofre na trama. Dos tons de comédia à tragédia, que faz a grandeza do livro. O ficcionista Lima Barreto em sua melhor fase. “Policarpo, como um herói do teatro grego, vai-se consumir numa luta perdida... São as pragas bem terrenas do Brasil que tanto amou”, sinaliza. Por se recusar a participar de uma fraude eleitoral, as portas do governo se fecham contra sua atividade de produtor rural.  O articulista da “Veja” situa ainda Barreto com “os pés muito firmes na realidade do seu tempo”, de modo que o “alvo preferencial de sua crítica  – e de sua ira – era a política dos primeiros anos da República”. Normal. “Triste Fim de Policarpo Quaresma” tem sua ação no tempo de Floriano Peixoto (1891-1894) e da Revolta Armada do Rio de Janeiro.

Quaresma vai ao presidente Floriano, que o recebe com “enfado” e “desprezo” no final do encontro. Pompeu de Toledo relata: “Ao longo da Revolta da Armada, ele experimentará da rotina sem sentido dos tiros perdidos dos navios para os fortes, e vice-versa, transformados a certa altura em diversão para a população, até a matança cruel que se seguirá”. Eis, então, “o perfeito e consumado personagem de tragédia. Quaresma morrerá por força da injustiça e da ferocidade dos detentores do poder, mas também dos efeitos da desilusão e da solidão de suas causas”, arremata Pompeu de Toledo.  Resumo da ópera: o romance de Lima Barreto investe contra Floriano (o então “Marechal de Ferro”), mas também contra os militares e o “Santo Ofício da República. O articulista recorda que o autor gostava de “atalhar o relato ficcional com diatribes de editorialista”, acusando “o nefasto e hipócrita positivismo de um pedantismo tirânico e estreito que justificava todas as violências”.

Em tempo: Para quem ainda não sabe, o escritor Lima Barreto referia-se à ideologia dos militares que impuseram o regime republicano presidencialista à força no país, naquele fatídico 15 de novembro de 1889.
Ao terminar seu artigo, Pompeu de Toledo crava os olhos no Brasil de hoje para fulminar: “Lima Barreto era mais um dos desencantados com a república que não foi, como se dizia na época – a dissipação da idéia de república num mar de intolerância, de desonestidade e de mistificação”.
Que ironia! Hoje temos até um Partido da República e aquele Ministério dos Transportes...

Coalizão infernal
Muito obrigado, Lima Barreto, pela longevidade e atualidade de sua obra literária e por ter sido o cidadão que o Brasil desses dias constipados de hoje tanto precisa. Para completar a triste cena política, temos os desencontros desse “presidencialismo de coalizão” que tenta fazer da presidente Dilma Roussef refém de uma espécie de imobilismo democrático. Ou seja, a ameaça à governabilidade por obra e graça dos pequenos partidos que a apóiam no Congresso Nacional.

É puro “fogo amigo”, não? Tanto é assim que o historiador Marco Antonio Villa, que sabe tudo da vida (anti) republicana nesse país, dá um conselho à presidente: “Dilma tem de achar o ponto certo entre impor seus nomes preferidos (e de confiança) e preservar o apoio de seus aliados”. Ele entende
que a saída para as últimas degolas de ministros e outros auxiliares pode ser o chamado “modelo PT”: o partido aliado indica o ministro que quiser, “mas o governo controla a Secretaria-Geral do Ministério, onde as decisões são tomadas”. Só que Marco Antonio adverte: “Às vezes isso funciona, às vezes não”. É muita tortura agüentar os descaminhos desses 121 anos de república no Brasil, com o agravante de ter que fingir que ela está dando certo, que é para sempre! Enfim, o pior cego é aquele...


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