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O mais insuportável dos anacronismos

Publicado em: 05/07/2011

Edvaldo F. Esquivel
Baiano, jornalista e estudioso
da monarquia brasileira


Uns dizem que a restauração da Monarquia-Parlamentarista no Brasil é uma causa perdida. Será? Outros, porém, retrucam lembrando que as grandes causas impossíveis foram justamente as que fizeram avançar a Humanidade! De quebra, a assertiva de que a História sempre foi uma associada do progresso das nações e por isto alimenta esse sonho íntimo dos brasileiros de ter um rei de volta. Um sonho que não está no presente e sim no futuro. É dele que o Brasil  de hoje mais precisa. Temos um regime republicano-presidencialista que nunca conseguiu se encontrar com o seu futuro de  grande nação. Parece até uma praga. Mas, se considerarmos as circunstâncias nada civilizadas da implantação da república entre nós, logo teremos a resposta: golpe de estado. A nação parece perdida, em que pesem os avanços democráticos das últimas décadas. Interessante é que repudiam tanto o golpe militar de 1964, que derrubou João Goulart e convenientemente esquecem o de 15 de novembro de 1889.   

Ali estava o começo de todos os desacertos institucionais. Só que nos dias de hoje, ainda, causa espanto falar-se de Monarquia no Brasil. Por quê? Por falta de conhecimento histórico. Falta daquelas informações básicas - e sem deformações - que faltaram às diversas gerações de brasileiros nas escolas. Que se estudem então o Brasil Império.  O Plebiscito de 93, após 25 anos de regime-militar, fez o povo dançar. Ninguém sabia, ao certo, o que era Monarquia!  O ranço da escravidão permeou, como se não tivesse sido a república responsável por um novo tipo de escravidão: a miséria. E o povo lá, embasbacado, tateando o voto no futuro do Brasil. Não deu outra, boa parte do eleitorado votou errado. Pelé mais uma vez estava certo. Aliás, na história deste país o que mais teve foi eleição equivocada. A pátria é amada. E é verdade que um rei a defende sobre todas as coisas. Triste é ver pessoas esclarecidas, independente de ideologias, com posições político-partidárias firmes, fugir de questão inadiável como é a volta do regime monárquico-parlamentarista. Ora, bolas! Desvaneçam-se os tabus. Chegou o momento de ousar, de pensar forte e livre, de perder o “complexo do esquerdismo”. Sim. Ele constrange, faz lembrar a guilhotina, na França; os fuzilamentos na Rússia. E daí? As revoluções se autodevoram mesmo...   O importante é arejar as idéias. Nada de temer o novo.

Sem pejo de apoiar – ou sequer discutir – a volta da Monarquia ao Brasil. Bobagem. Temos o exemplo da Espanha! Do rei Juan Carlos I! Da democracia monárquica construída sobre o sepulcro do franquismo. Uma coisa tem a ver com a outra. No Brasil atual, falar de monarquia é simples, minha gente!  É como falar de futebol. De Bahia e Vitória. Os argumentos estão nas ruas, campos e construções. É só ter a História na mão e a certeza na mente. Faça-se a discussão salutar da volta às nossas origens. E nós fomos uma nação monárquica. O que muitos fingem ignorar, e isto sempre me pareceu irônico, porquanto o país ficou independente de Portugal em 7 de setembro de 1822 e D. Pedro I fundou o Brasil Império. Não há nada de absurdo!  E muito menos de anacrônico. Por sinal, recorro a esta última palavra porque ela foi usada recentemente por um jornalista da televisão para justificar o seu espanto. Sim.

Pude ouvi-la durante a transmissão do casamento do príncipe William com Catharine Midlleton, os duque e duquesa de Cambridge.  Diante da dificuldade de aceitar – ou mesmo compreender – que um país tão desenvolvido como a Inglaterra ainda viva sob uma monarquia constitucional, o jornalista preferiu taxar  esse regime de “anacrônico”.  Ele simplesmente esqueceu que nos dias de hoje as democracias mais sólidas -  e avançadas -  do mundo estão nos países de Monarquia-Parlamentarista. As exceções são raras. Muito engraçado. Sempre há um momento em que aparece alguém, que gosta de criticar os Estados Unidos – e seu imperialismo – para citar precisamente este país como exemplo de república-presidencialista! Bravo. Mas esquece as republiquetas, que tanto maculam o conceito de Democracia. Vale lembrar aqui, inclusive, um dos slogans da campanha do Plebiscito de 1993: “Coroe a Democracia! Vote no Parlamentarismo-Monárquico”. Assim, à luz dos novos tempos, felizmente, a monarquia nada tem anacrônica. Anacrônica é a fome, que assola boa parte dos países de regime republicano-presidencialista! E como já disse o poeta baiano, “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...”!


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