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A Coerência de Joaquim Nabuco

Publicado em: 10/06/2011

Luís Severiano Soares Rodrigues
Economista, pós-graduado
em história, sócio
correspondente do Instituto
Histórico e Geográfico de
Niterói e Artista Plástico


Com 2010 se findou o Ano Nacional Joaquim Nabuco, em memória do transcurso dos cem anos do seu falecimento. Cabe-nos prestar mais uma homenagem a este personagem que por sua trajetória política e intelectual, desperta os maiores preitos de admiração.

Muito foi lembrado o grande tribuno da abolição, que com sua ação e oratória escreveu páginas memoráveis do parlamento brasileiro, bem como liderando um grupo de não poucos grandes abolicionistas, na campanha que gerou as condições necessárias para que a Nação sob o comando da Princesa Imperial Regente Dona Isabel, pudesse por um fim à escravidão no Brasil. Fiel a D. Pedro II, Nabuco manteve-se fiel à Dona Isabel, posto que coerente, jamais trairia aquela que não mediu esforços na esfera do Trono para fechar essa chaga na terra brasileira. Ela que tão amada pelo povo, os oportunistas que num momento fúlgido golpearam covardemente a Pátria e retribuíram o seu gesto com a decretação do seu desterro e a sua morte no exílio.

Nabuco, coerentemente quis distância do regime quê, em nome da liberdade, impõe a sua supressão. Nos diz, ele “(...)suprimir a liberdade provisoriamente para torná-la definitiva é como a medicina que matasse o doente para ressuscitá-lo são. A liberdade uma vez confiscada não pode ser restituída íntegra, ainda mesmo que a aumentem; ficará sempre o medo de que ela seja suprimida outra vez e com maior facilidade (...)”(Resposta as Mensagens 1890). Estas palavras de Nabuco foram premunitórias, basta vermos os vários golpes de Estado ao longo da república até 1964, sendo que este duraria uma geração, e hoje temos a democracia formal, da qual se locupleta uma classe política em sua maioria corrupta e patrimonialista, as custas da miséria e da ignorância do povo brasileiro. Assim Nabuco não podia acreditar na república e era enfático “para acreditar nela, eu só peço, como os árabes para acreditar em Maomé, que ela faça um milagre; o de governar com a mesma liberdade que a monarquia” (idem op. cit.). João Ribeiro em suas Cartas Devolvidas (pag. 190), classifica Nabuco junto com Taunay, como monarquista protestário, e assim o foi, mas nesses eventos decorrentes do centenário de sua morte, pudemos ouvir algumas colocações questionando, como um espírito liberal como Nabuco pode se manter fiel a monarquia. Certamente tal colocação, como não poderia deixar de ser, se baseia no preconceito sobre a monarquia e na falácia de que a república é uma evolução. Nabuco que viveu na monarquia, e tinha contato direto com o chefe do Estado, tem o arcabouço para fundamentar a sua opção, e cremos que a realidade republicana, que nós passageiros do futuro vivemos, é o suficiente para comprovar que Nabuco estava certo.

Já no período dos ânimos serenados, a república carecendo de quadros capazes, chama Nabuco para atuar no campo diplomático, o qual Nabuco não recusa, pois fiel ao Imperador, seguia-lhe o conselho, o Brasil em primeiro lugar. Assim manteve sua profissão de fé monarquista ao servir sempre a Pátria. Seu monarquismo não ficou diminuído por servir a república, e como exemplo, temos numa conferência na Universidade de Yale, em 15 de maio de 1908 (O Espírito de Nacionalidade na História do Brasil), onde Nabuco do pedestal de sua erudição após fazer um belo resumo da evolução histórica brasileira, com destaque para as liberdades de imprensa e política sob o cetro de D. Pedro II, não esquece Nabuco do tributo à Dona Isabel, vinte anos depois, do 13 de maio, diz ele para sua platéia americana, “ e por falar em idealismo no trono, não apresenta a história muitos e xemplos, mais brilhantes e impressivos, que o da Princesa Imperial Dona Isabel, que enquanto Regente do Império, em 1888, provocou, de seu motu próprio, a queda de um gabinete, a fim de chamar um estadista resolvido a propor ao Parlamento a abolição imediata da escravidão. E ela o fez sabendo que os antigos conservadores desamparariam o trono diante do progresso da agitação republicana no país”. Palavras que são o testemunho insuspeito de um homem cuja honra é inquestionável, da ação daquela mulher que para sempre será a redentora dos escravos.

Diferentemente de outro grande abolicionista, que foi José do Patrocínio, e que traiu Dona Isabel no 15 de novembro, ao proclamar sua república na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, e morreu, em 1905, na miséria e esquecido pela república, e que só teve um funeral com grandes honras, porque um grande monarquista, que foi o barão do Rio Branco, exigiu que a república o fizesse. Nabuco ao morrer em Washington, em 1910,teve as maiores homenagens que um homem pode aspirar como testemunho da sua importância e valor, desde a capital americana, à capital do Brasil e a capital da sua província natal, Recife. A república não poupou honras àquele que coerentemente foi fiel ao Império até o fim.


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