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Artigos históricos

Guerra do Prata, o sonho de um vice-reinado - Parte I

Publicado em: 09/05/2011

Acontecida entre 1851 e 1852 e tendo como cenário as regiões do Uruguai, o nordeste argentino e o rio da Prata, essa guerra regional custou a vida de aproximamente 1.600 militares de ambos lados, além de deixar sequelas que derivariam em novas crises mais adiante. Resumimos em quatro capítulos o que foi essa página triste da história sul-americana.

A Guerra do Prata, também conhecida como Guerra contra Oribe e Rosas, foi um episódio numa longa disputa entre Argentina e Brasil pela influência no Uruguai e hegemonia na região do Rio da Prata. A guerra foi travada no Uruguai, Rio da Prata e nordeste argentino de agosto de 1851 a fevereiro de 1852, entre as forças da Confederação Argentina, e as forças da aliança formada pelo Império do Brasil, Uruguai e províncias rebeldes argentinas de Entre Rios e Corrientes.

A ascensão de Juan Manuel de Rosas como ditador argentino e a guerra civil no Uruguai após sua independência do Brasil geraram instabilidade na região do Prata, devido ao desejo argentino de ter Uruguai e Paraguai em sua esfera de influência, e posteriormente recriar o antigo Vice-reinado do Prata. Estes objetivos eram contrários à soberania brasileira, uma vez que o antigo vice-reinado era formado por terras pertencentes à província do Rio Grande do Sul, e aos interesses brasileiros de influência na região, que já havia gerado a Guerra da Cisplatina e instigaria ainda outras duas guerras.

A Guerra do Prata terminou com a vitória aliada na Batalha de Monte Caseros em 1852, estabelecendo a hegemonia brasileira na região do Prata e gerando estabilidade política e econômica ao Império do Brasil. Porém, a instabilidade nos outros países da região permaneceria, com as disputas internas entre partidos no Uruguai, e uma guerra civil na Argentina pós-Rosas. Este conflito faz parte das chamadas Questões Platinas na História das Relações Internacionais do Brasil e como parte integrante da Guerra Grande nos países hispanófonos.

Ditadura de Juan Manuel de Rosas
Após um breve período de anarquia interna seguinte à Guerra da Cisplatina, Juan Manuel de Rosas foi eleito governador de Buenos Aires. Em tese, Rosas detinha tanto poder quanto os governadores das demais províncias, mas, na prática, era o governante de facto da Confederação Argentina. Apesar de seus laços com os federalistas, uma facção que demandava maior autonomia para as províncias, Rosas manteve controle sobre as demais províncias argentinas através de negociações, subornos e pressões militares. Isso foi possível uma vez que Buenos Aires era a província mais rica e populosa, e além disso, todo o carregamento comercial internacional das outras províncias tinha que passar por seu porto.

Com a exceção de um curto período de 1832 até 1835, governou o país como um verdadeiro ditador e, à medida que o tempo passava, seu governo tornava-se mais corrupto e despótico, agravando a situação interna e levando a uma emigração em massa de cerca de 14.000 unitaristas, adversários políticos que desejavam centralizar o país em Buenos Aires, para o Uruguai em uma tentativa de escapar das repressões. Rosas, assim como muitos de seus conterrâneos, desejava recriar o antigo Vice-Reino do Rio da Prata e tornar a Argentina a principal potência na América do Sul. Para tanto, precisaria conquistar três nações soberanas: a Bolívia, o Uruguai e o Paraguai, além da maior parte da região sul do Brasil. Para atingir tal objetivo, o caudilho buscou possíveis aliados nos países vizinhos que pudessem colaborar com seus planos, envolvendo-se na política interna e econômica, financiando rebeliões e guerras civis.

Para os argentinos, o Paraguai era somente uma província rebelde, apesar do mesmo considerar-se independente desde 1811, porém sem reconhecimento de nenhum outro país. O ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia considerava que a melhor forma de manter sua ditadura e também a independência do Paraguai frente à Argentina era isolar completamente o país de qualquer tipo de contato com o mundo exterior. Por esta razão, até 1840, o Paraguai não possuía contatos diplomáticos com nenhuma nação. Com a morte de Francia, seu sucessor, Carlos Antonio López, assinou dois tratados em julho de 1841: um de Amizade, Comércio e Navegação e outro de Limites com a província argentina de Corrientes, que havia se sublevado contra o governo de Rosas. O ditador argentino procurou impedir o contato do Paraguai com o exterior para assim submetê-lo. Além da recusa em reconhecer a independência paraguaia, ele também criou entraves a seu comércio uma vez que controlava a navegação do Rio Paraná.

A Guerra Grande
A antiga província brasileira Cisplatina passou a chamar-se oficialmente de República Oriental do Uruguai após a promulgação de sua constituição em 1830. Logo em seguida, Fructuoso Rivera foi eleito como seu primeiro presidente. Rivera tinha um rival chamado Juan Antonio Lavalleja, conhecido por ter declarado a independência da província Cisplatina com o apoio dos chamados "Trinta e Três Orientais". Da rivalidade entre ambos os caudilhos surgiram dois partidos no Uruguai: o Blanco, agrupando os correligionários de Lavalleja, e o Colorado, os partidários de Rivera. A tensão entre os dois líderes uruguaios chegou ao ápice quando Rivera se rebelou na tentativa de tomar o poder à força de seu rival. O revoltoso logo descobriu que o ditador do país vizinho, Juan Manuel de Rosas, estaria interessado em ajudá-lo financeiramente e militarmente. Em 1832, Lavalleja passou a receber contribuição do estancieiro rio-grandense Bento Gonçalves e ambos invadiram o Uruguai onde praticaram saques e assassinatos. Gonçalves havia sido convencido por Rosas a se rebelar contra o governo brasileiro e deixar a província do Rio Grande do Sul ser anexada pela Argentina onde poderia governá-la como ditador.

Rivera cumpriu seu mandato presidencial e Manuel Oribe, também do partido Blanco, foi eleito em março de 1835 para sucedê-lo. No início, o novo presidente se opôs à anarquia causada por Bento Gonçalves e Lavalleja, mas três anos depois viria a se aliar aos revoltosos. Rivera também rebelou-se, mas acabou sendo derrotado militarmente, e partiu para o Rio Grande do Sul, onde se aliou aos farrapos, até então aliados de Rosas. Eles invadiram o Uruguai e conquistaram a maior parte do país, com a exceção da capital Montevidéu.

Derrotado, Oribe partiu para a Argentina após renunciar à sua posição como presidente uruguaio. Rivera foi reeleito presidente em 1838 e como represália Rosas enviou um exército liderado por Lavalleja que foi rapidamente derrotado. Após essa frustrada ação, Lavalleja retirou-se definitivamente do conflito, não mais participando da guerra civil de seu país. O ditador argentino enviou um outro exército, formado por tropas argentinas e uruguaias sob o comando de Oribe, que derrotaram as forças de Rivera e decapitaram os vencidos. Rivera foi um dos únicos que conseguiu escapar do massacre e partiu para o exílio no Rio de Janeiro. O governo uruguaio elegeu Joaquín Suárez para sucedê-lo como presidente e resistiu ao cerco da capital. Os aliados de Oribe assassinaram mais de 17.000 uruguaios e 15.000 argentinos. Com a quase totalidade do território uruguaio em seu poder, Oribe permitiu que seus aliados invadissem o sul do Brasil, roubando gado, assaltando estâncias e assassinando cidadãos brasileiros. Mais de 188 fazendas brasileiras foram atacadas, enquanto 814.000 bois e 16.950 cavalos foram roubados. Francisco Pedro de Abreu, o barão de Jacuí, decidiu por conta própria realizar represálias contra o Uruguai organizando investidas que se tornaram conhecidas como califórnias em homenagem à lucrativa corrida do ouro na Califórnia, ou à violência que aconteceu nos Estados Unidos da América durante sua expansão ao oeste.

O apoio de Rosas aos Blancos contra os Colorados e a instabilidade decorrente na região levou as duas maiores potências da época, França e Grã-Bretanha, a declararem guerra à Argentina. Por repetidas vezes Buenos Aires sofreu o ataque das esquadras anglo-francesas e teve seu porto bloqueado em várias ocasiões. O governo argentino foi capaz de resistir, forçando as duas potências a assinarem um acordo de paz em 1849.

Leia a Parte I

Leia a Parte II

Leia a Parte III

Leia a Parte IV



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